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Desejo de Mouro/ Poema Incidental: Galope à Beira-Mar
(Zé Ramalho)
Esse teu dente de ouro
Penduro no meu colar
Esse desejo de mouro
Do peito quero sangrar
Essa corrente que prende
Teus movimentos no ar
Tem elos de energia
Difíceis de se quebrar
São dez dedos pros anéis
Cem cabeças pra pensar
Um lugar pra se viver
Um gatilho pra puxar
Meu sorriso pelo cano
Escorrendo feito mel
Por enquanto vou passando
E estendendo meu chapéu
Essa amargura mistura
De vinho branco com fel
Dão passarinhos voando
Nas cordilheiras do céu
Oh tu que tens o repente
Na hora de me falar
Deixa de novo o sol quente
Por dentro te atravessar
Poema Incidental:
Galope à Beira-Mar (Geraldo Amâncio)
O mundo se encontra bastante avançado
A ciência alcança progresso sem soma
Na grande pesquisa que fez do genoma
Todo o corpo humano já foi mapeado
No mapeamento foi tudo contado
Oitenta mil genes se podem contar
A ciência faz chover e molhar
Faz clone de ovelha, faz cópia completa
Duvido a ciência fazer um poeta
Cantando galope na beira do mar.